quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Let it rain

Olho pela janela e entretenho-me a ver alguém que passa a fugir da chuva que nao se cansa de cair. Passado uns momentos observo crianças bem vestidas ansiosas pela chegada desta noite. Continuo a ver a chuva a cair e os rios a formarem-se junto das árvores. Vai passando gente apressada com prendas na mão e sacos que nunca mais acabam. As pingas escorrem pelos vidros como se fossem lágrimas a percorrer um rosto. A menina está a a pintar muito sossegada, e eu quase que me esqueço dela.
- Qué estás mirando? - pergunta ela com o seu sotaquezinho espanhol que eu tanto gosto.
- Nada. Estou a ver as pessoas.
- Estás pensando?
- Sim - sorri.

Mas não há motivo para sorrir, a não ser ela. Não vejo nenhuma luzinha no fundo do túnel, nem algo parecido.

À medida que fui lendo aquele texto que mexeu tanto comigo, o meu interior foi-se esvaziando a pouco e pouco. Nunca pensei que certas palavras fossem capazes de tirar toda a vida aos meus sonhos e, pior ainda, desfazê-los. Nunca pensei que ao ler umas linhas me sentisse tão inútil como me sinto agora. Sim, é assim que me sinto. E podem achar que estou a fazer uma tempestade num copo de água, mas é assim que me sinto. Já não tenho forças para continuar uma luta contra o meu próprio eu. Uma luta que tudo e todos me encorajaram a fazer e agora, por ler um texto, rendi-me.

Depois ela veio olhar para a chuva comigo. Pôs-se de joelhos, colocou as mãozinhas no vidro e observou a paisagem.
- Mira! El agua se desliza .. Parece que es el mar - diz a miúda.

Aproximou-se da janela e soprou ar quente embaciando o vidro. Tentou fazer um desenho com os dedos mas não conseguiu. Pegou numa caneta e continuou a desenhar.
Não parei de olhar para lá para fora, mas na verdade estava a olhar para o infinito e a pensar no que ia fazer a seguir, mas não cheguei a conclusão nenhuma.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Em palco

http://www.youtube.com/watch?v=PfNwO9HNqh4

Tenho uma enorme vontade de voltar a pisar um palco quando vejo estas coisas. Relembro todos os momentos por que passei, todos os tremeliques pelo corpo e borboletas no estômago nos bastidores. O cheiro a resina que pairava no ar durante os ensaios, as ameaças ("quem não vier não entra no espectáculo!"), as risadas marotas que de vez em quando surgiam, as piadas que só nós percebíamos...tenho tantas saudades. Saio de bailados com uma vontande enorme de calçar umas pontas e ir dançar, nem que seja só um bocadinho. Vejo musicais e só me apetece cantar e dançar. Sou uma menina. Uma menina medricas que o máximo que consegue fazer é cantar pela janela. Que se contenta a olhar para um ecrâ e ver os outros divertirem-se, ou estar sentadinha na cadeira e observar pessoas a fazer coisas que eu podia muito bem estar a fazer. Uma menina que não tem coragem, uma menina que não cresce nem em tamanho nem em mentalidade.
E ela continua a ser assim, porque falar é fácil, porque os nervos apertam, porque sozinha nao consegue fazer nada. Tenho pena dela.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Castanhas assadas



Estava tudo doido por compras. Pessoas apressadas, crianças a pedir tudo aos pais, um exagerado número de músicos tocavam alguma coisinha para receber uma moeda em troca. É Natal, pensei eu. As ruas estavam todas decoradas, com bolas gigantes a pairar do ar, luzinhas ansiosas para que chegue a noite...até que um cheiro familiar me entra no nariz. Aquele cheirinho que até nos faz fechar os olhos para o poder apreciar ainda melhor. Castanhas. Eu sei que já passou o S.Martinho (o que torna o espírito natalício ainda mais estranho) mas deu-me uma vontade enorme de segurar naquele papel de jornal enrolado e sentir o calor delas nas minhas mãos.

E assim fiz. Tornei o meu desejo realidade e enchi a barriga até não poder mais. Ainda me estava a fazer confusão o facto de estar uma música de Natal a tocar e eu estar a comer castanhas. Mas também é um exagero agora, o Natal dura uns 3 meses ou à volta disso. E, tal como uma vez me disseram, se não se souber que é Natal basta ligar a televisão e ver se está a dar o Sozinho em Casa. Concordo plenamente.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Corrente inesperada


Noutro dia ouvi uma conversa sobre lagos. Sei que parece conversa de doidos,mas não foi. Antes pelo contrário. Alguém disse que a riqueza de um lago estava no seu fundo e que, se a água estivesse agitada, nao podíamos ver o interior dele. Mal ouvi isto, associei os lagos às pessoas. É practicamente a mesma coisa.
Quando conhecemos alguém, temos tendência a turvar (não sei se é o termo mais correcto) a nossa própria água. Tudo por uma questão de protecção. Mas ao longo do tempo, habituamo-nos a deixar a água calminha, pura, transparente. E só assim mostramos quem realmente somos,a quem realmente (nos) merece. Mas também há quem nao tenha nada no fundo do lago, ou quase nada. E para disfarçar isso, o barulho das ondas nunca pára,para niguém reparar.
Mas eu reparo. Reparo logo naqueles lagos e lagoas que, por mais que se semicerre os olhos, não se consegue ver o que realmente existe lá em baixo e que não quer ser mostrado: ou porque nao existe ou porque é pouquinha coisa. Não gosto muito de nadar nesses lagos. Lagos esses que, quando já se consegue ver alguma coisinha brilhante no fundo, puxam-nos através de uma corrente forte e deixam-nos na margem ao frio e na escuridão.
Isto tudo por causa daquela conversa que eu ouvi, nao sei a que propósito mas ouvi. E fez-me pensar. Muito.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Nada

Sento-me nesta cadeira já gasta, e não me sai nada da cabeça. Temas, temas...não há nada aqui dentro? A pergunta até faz eco, e nem uma resposta. Nem uma mísera resposta. Por desespero, pego no Yoda e faço-lhe a mesma pergunta, já que nem eu própria sei responder. Ele 'diz' que a força está comigo. Ei, que bom! É óptimo saber que a criatura verde de orelhas alienígenas me dá apoio. Que parvoíce, é um boneco saído de um happy meal e eu ainda lhe dou importância.
"Paradoxos", diz a outra. Paradoxos?...às vezes não percebo a velocidade do raciocínio dela. Passa-me à frente, completamente. Ainda lhe pedia para explicar como se eu fosse muuuito burra, mas achei melhor não, coitada.
Ultimamente tem sido assim. Parece que alguém me roubou a imaginação, o prazer de viver. Foi tudo muito rápido...num piscar de olhos. Roubaram-me mesmo, e eu nem piei. Ou melhor, nem notei. Estava demasiado preocupada em fazer tudo perfeito, em ser a menina boazinha e querida que nunca comete erro nenhum. Porquê? Mais eco...nao, o bonequinho não responde a isto. Tenho de ser eu a responder. É pelo simples facto de estar a preocupar-me mais com o Futuro do que com o Presente. Não estou a apreciar nada do que acontece, estou a planear coisas. E porquê? Isso já não sei.
Vou apenas dizer o que uma vez me disseram, há pouco tempo, que me trouxe à realidade:


"Nunca permitas que as tristezas do passado e as incertezas do futuro te estraguem a alegria do presente".


Prometo que vou continuar a tentar.







Nao deu Bea, sorry.
Fica para a próxima. (pediram resgate! Yay :P)

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Diz-me

Só quero ouvir aquela palavra. Aquela palavra que digo e ouço tantas vezes (até demais), que é tão banal para mim e pelos vistos para ti não.
Quero que a digas para ficar tudo bem (comigo). Mas quero que a digas por achares que a deves dizer. Sei lá o que vai nessa cabeça...provavelmente nada parecido com o que vai na minha.
Mas não descanso enquanto não vieres ao pé de mim, me olhes nos olhos e disseres a palavra de oito letrinhas que eu anseio por ouvir.
Sim, estou a dar em doida, eu sei. E sabes bem porquê, não sabes?
Só gostava de voltar atrás e quebrar o gelo! Perguntar o que tanto queria perguntar, dizer o que tanto queria dizer. As palavras fugiram-me da boca e tu deixaste-as escapar, ou fingiste que não as viste. É, acho que foi mais isso. Fingiste. Tudo. Tão bem que eu acreditei, se calhar até de uma maneira que não devia. Fizeste-me acreditar e depois largaste-me a mão, de repente.
E agora estou assim, à espera que me digas "desculpa" para poder seguir em frente e não pensar mais no assunto. Não te estou a pedir nada de mais... não te estou a pedir grande coisa, pois não? Só queria que ouvisses o que tenho para dizer, mesmo estando tão longe de mim.



Nem sequer quero que faças aqueles olhinhos...diz desculpa, apenas.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009


"Smile, even if it's a sad smile, because sadder than a smile is the sadness of not knowing how to smile."
Por mais que leia, não entra. Simplesmente, não entra.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Raiva




Nunca na vida me senti assim. Sinto que tenho milhões de palavras entaladas na garganta, ansiosas por sair. Mas não as deixo sair, porque não sou má.


Engulo.


E engulo.


E respiro fundo.




Passado uns minutos sinto a mesma raiva novamente. Só me apetece pegar num lápis e parti-lo ao meio. Não me contenho, e tento partir um que estava sossegado na 'latinha' . Que estúpida, nem o consigo partir. Magoei a minha própria mão em vez de acabar com a vida do lápis. Pobre miúda.
Pego numa almofada e grito com toda a força esvaziando os meus pulmões de ar (e de ira). Uf, isto ajudou. Mas magoei-me na mesma. A minha dor de garganta voltou.

O meu coração continua pesado. Não sei que fazer mais. Talvez mande bolas para descampados, ou mande 'balázios' com a Teté para a China (que falta fez hoje a aula). Talvez parta a minha guitarra contra o chão, como se vê na maior parte dos videoclips. Mas não consigo, gosto demasiado dela.

A sério, preciso de descansar a minha cabeça. Sentar-me na erva molhada e olhar para o céu azul, com uma nuvem ou outra e divertir-me a ver as formas delas. Fechar os olhos e ouvir o canto dos passarinhos, sentir o aroma das flores e a brisa na pele. Só uns momentos.






Naah, não dá. Vou continuar a (tentar) partir lápis.

domingo, 18 de outubro de 2009

Hot Chocolate


Estive outra vez com ele. Já perdi a conta das vezes que estivemos juntos...o certo é que depois de estar com ele parece que a minha vida se torna mais fácil, mais alegre, mais animada.

É impressionante a maneira como nos entendemos bem, não é? Ninguém percebe o que nós dizemos com um olhar ou com um sorriso o que se diz em dezenas de palavras. Ou quando, sem razão nenhuma, rimo-nos à gargalhada até ficarmos com lágrimas nos olhos e alguém comenta "Oh, estão na idade do armário". Chamem-lhe isso chamem...cá para para mim é muito mais do que isso. Mesmo muito mais.


Eu própria não percebo como é que duas pessoas se podem dar tão bem como nós. Parecemos irmãos, mas daqueles que não discutem (eu sei,isso é impossível. mas no nosso caso não). Desde que me lembro brincávamos juntos e aproveitávamos todos os momentos ao máximo até chegar a hora de dizer adeus. Aquele miúdo é demais, acreditem.

Tal como muitas tardes que desfrutámos, hoje foi uma delas. Depois de uma sessão de estudo em casa da avózinha fomos ter o nosso 'encontro' de fim de semana. Tal como temos feito ultimamente (e não sei porquê) fomos lanchar a um café que estava cheiinho de gente - nada habitual. Alegria das alegrias, já tínhamos que fazer naqueles 15 minutos. Comentar o que víamos.
Sei que parece estúpido, mas o que mais gostamos de fazer é imaginar coisas onde elas não estão. Quem nos conhece diz que parecemos uns doidos que não temos onde cair mortos. Que interessa? É divertido e é.

Ao nosso lado estavam dois azeiteiros (um deles tinha um diamante na orelha) que não paravam de olhar. Chegou um terceiro elemento, ou melhor, terceira. Virei-me para ele e disse: "Ai meu deus, olha esta gata aqui ao lado..." E ele olhou. Começou logo a rir, com aquele riso que parece que está a cair numas escadas, e que é extremamente contagiante.
À nossa frente estava um casal de velhinhos, daqueles mesmo queridos, a tomar o seu chá. Foi ele que reparou neles. Claro, ele é muito pior do que eu. "Olha, olha aqui, aquela senhoraahahahaha!" No momento em que eu olhei, bem, nao me conti. Tinha uma cara mesmo engraçada e estava a 'pensar no destino' (nao liguem, piada nossa).
Também nos rimos duma miuda que se estava a portar mal e estava a chatear a mãe. Foi ele que me ensinou uma maneira de não achar as aulas tão seca: olhar para alguém e imaginá-la com o cabelo de outra pessoa qualquer. Tem muita piada especialmente com professores mas resulta com qualquer um. E acreditem que as aulas passam mesmo rápido.


E assim acabou o nosso 'encontro', com lágrimas de riso e caras vermelhas. Fomos outra vez à avózinha que foi um grande final de tarde. Entrei no quarto dela e disse "Então 'vó, tass bem?". Obviamente nao esperava resposta. "TASS" diz ela. Agarrei-me à barriga e tive um ataque 'daqueles'.




Despedi-me dele. Provavelmente só o vejo no encontro.







Antes que pensem alguma coisa, ele é meu primo :D Não esperavam esta?

sábado, 17 de outubro de 2009

Friday Night Fever

Nada melhor que uma noite bem passada com quem mais gosto. Sinto que estou a começar a assentar a minha vida agora na ‘cidade’, coisa que nunca pensei que fosse acontecer. Ou melhor, pensei que nunca me iria adaptar tão bem. Na verdade, parece que tudo mudou lá (no outro mundo, como lhe chamo) e fico constrangida e com um sentimento estranho quando estou com os outros. Já não temos nada em comum…a não ser o nosso passado.

Primeira etapa da noite: meter-me no centro comercial com duas personagens, uma delas por vezes chamada ‘pilholho’ por uma certa pessoa. À saída de lá, um acampamento improvisado por gente viciada em U2 (coincidência, não?). Chegamos a minha casa e as meninas entretêm-se com os meus animaizinhos que têm nome de droga e de arroz. E prefiro não referi-los :) Depois de uns acordes na guitarra, chega a nossa boleia. E aí começa a aventura :p

Um jantar muito divertido, com direito a sessão de anedotas secas e ainda febre de Ice Tea! E é então que partimos para um concerto bastante original, vá. É impressionante o que o som da bateria provoca em certas e determinadas pessoas! Ainda demos umas valentes gargalhadas. No fim acabei por não ter de pagar bilhete (é o que dá ser assim :D) e terminar a noite a dançar na rua o Telmo Miranda.

Definitivamente, uma noite muito bem passada.
Estão a olhar para onde? Tenho o …. na testa?! (tinha de mandar esta piada, peço desculpa pela estupidez)

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Extreme - More than words


Aqui, ao som de boa música, tudo parece desaparecer.
Os meus problemas vão-se embora, os dos outros também, e fico sozinha. Uma sensação estranha invade todo o meu corpo desde a pontinha dos cabelos à pontinha dos dedos dos pés e um arrepio percorre-me a espinha.
Ponho-me a pensar no destino (se é que ele existe). E penso. Penso.
Penso em todas as pessoas que deixei para trás há um ano e meio e relembro todos os momentos que passei com elas. Tantos e tão bons. Aquele sítio era (e é) especial. Faz-nos crescer a sonhar e sonhar a crescer. Desde os concertos aos bailes, dos torneios às aulas, das gargalhadas às maluqueiras...Pergunto-me se voltará a acontecer. Respondem-me que sim. "Daquela maneira, não..", corrigem. Pois, foram únicos aqueles anos.
Volto a pensar neles. Foram tantas coisas as que se passaram que nem cabem todas aqui. Substituo tudo por uma palavrinha: cumplicidade. Já tenho uma lágrima no cantinho do olho. Engulo em seco e respiro fundo.
Começo a voltar à realidade e a assentar os pés no chão. A música acaba.


"Já passou.."

sábado, 10 de outubro de 2009

Cresce e aparece!

Às vezes sinto saudades. Saudades daqueles momentos que pareciam não ter fim. Ponho-me a pensar nos ‘ses’ e nos ‘porquês’…Quem me dera voltar atrás no tempo só para gozar mais um bocadinho a minha infância.
Podem-me chamar maluca, mas penso nisso a toda a hora. Quando passo por uma poça de lama, uma vozinha traquina fala dentro da minha cabeça “Salta, miúda! Salta!”. Mas rapidamente,outra fala mais alto “Cresce!Já não tens idade para estas coisas..”. Pois é. Já não tenho idade para isso. Ou pelo menos, já não devia ter.

Quem me dera! Só mais uns tempinhos...Aquela vontade de correr quando via um jardim à frente, aquela perda da noção do tempo quando brincava demais, aquela imaginação que se desfez com o passar dos anos, a invenção de brincadeiras novas, a esperança de voar depois de ver o Peter Pan, a alegria do Natal, as horas que gastava a ver desenhos animados...


Tanta nostalgia. Tanta mas tanta.


Mas ainda tenho uma criancinha dentro de mim. Ainda me rio sem razão nenhuma, ainda invento jogos estúpidos, ainda esboço um sorriso ao ver um animalzinho, ainda gosto de andar à chuva. Sim, eu sei. Mas todos temos uma criança dentro de nós. E espero nunca perder a minha de vista!

sábado, 26 de setembro de 2009

No exit!

E pronto. Aconteceu aquilo que eu já estava à espera. Decidi esperar porque dizem que 'a paciência é uma virtude'.

Tretas.

A paciência é para quem não tem mais nada para fazer, que é o meu caso. Sempre tive essa mania de dar esperanças a mim própria sem conhecer as consequências. Ou pelo menos, ignorá-las. Sim, ignorá-las é a palavra mais certa.
Sinto-me outra vez num beco sem saída. Numa sala sem portas, num mundo sem cor. Melhor dizendo, estou a dar em doida sem ti. E ainda por cima, nao falas! Portanto ainda me sinto pior. Sinto que sou uma menina pequenina, frágil, invisível, intocável.
Os contos de fadas não existem. Não deviam sequer ter sido inventados. Não deviam ter sido vividos por ninguém, porque no fim não se ouve "e foram felizes para sempre". Só servem para iludir as pessoas, principalmente eu.



Estou sozinha, aqui. Está frio e não tenho saída.





E não quero saltar.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Uma nova experiência

Hoje aconteceu-me uma coisa que nunca me tinha acontecido na vida (até hoje).
Uuh...o que vem aí?..será algo decente? Por acaso até não. Mas nunca me tinha acontecido portanto decidi partilhar.

(desembucha, miúda!)

Aqui vai.
Tinha acabado de entrar pela porta do meu prédio. Cruzei-me com uns meninos vestidos à colégio que nem um olá me disseram (esta juventude...) . Avancei e chamei o elevador. Não, não gritei 'Ó elevadooor!'. Também não sou assim tão estúpida. Carreguei no botão, obviamente, e abriram-se as portas.

(que mistério...)

"Esperem lá, há aqui algo de errado". As luzes do tecto do elevador estavam apagadas. "Se calhar fundiram, pensei eu" (cabeça oca!! És burra que nem uma porta). E entrei. Carreguei no botão do meu andar e comecei a pensar na quantidade de germes que estavam ali. A culpa foi da aula de inglês, só se fala da gripe dos porcos :P As portas fecharam-se. Ops. Não tinha pensado nisto. Ficou tudo escuro. E quando digo escuro, é mesmo mesmo escuro (mentirosa, via-se o zero marcado no ecrãzinho que tinha lá, a verde fluorescente).
Comecei a subir. Ouvi um barulho que mais parecia um motor de um carro velho a arrancar que depois foi abaixo. E parei. "Não acredito, estou presa. Presa. Presa. Presa. No escuroooo. Ah!". Tem calma, miúda. Mas estava cheia de medo. Agora percebo a cara daqueles miudos! Mas eles não ficaram presos... (mas tu sim! Muaahahahaha!)

"Tem calma" pensava eu. Involuntariamente, comecei a bater nas portas. E ouvi umas vozinhas :

- Madalena, és tu?!
- Não, não sou!
- Madalena?- agora em uníssono.
- Não! Estou presa, socorro!
- Aaah! Avó, avó! Ela está presa!! Avóóó!!

"Porra. Os míudos estão a passar-se. Madalena? Mas que m**** é esta?". Eles estavam em pânico. Eu estava com medo. Onde é que isto vai parar? Tirei o telemóvel da mochila e desbloqueei para ter luz. Parecia uma ceguinha, nem conseguia ver nada. Aproximei o mais possível dos botões e comecei a tentar em todos. Nenhum dava. Boa, genial. O meu coração começou a bater depressa demais para o meu gosto. Depois ouvi uma senhora:

- Madalena?
- Não, não sou a Madalena!- já me estava a passar
- Madalena..?
- Não! Sou a Luísa!!!- estava aos gritos completamente
- Marta?!
- Nãããoo!! Luísa!
- Ah..estás presa? Carrega no -2!
- Não dá!
- E na campainha?
- Também não.
- Ok, querida. Eu vou chamar a tua mãe. Em que apartamento moras?

E disse-lhe. Ela disse para ter calma. "Claro que sim, estou calmíssima. Sinto que estou num spa". Olhei para o tal ecrãzinho e dizia 'EF'. Deve ser de Estúpida e Fútil. Comcei a ouvir o tique-taque do meu relógio. Odeio quando isso acontece. É mesmo irritante, e depois não consigo parar de o ouvir! Boa, devo estar com uma crise existencial: primeiro chamam-me Marta e Madalena e agora chamo estúpida e fútil a mim própria. Ai, é horrível estar presa às escuras. é que não se tem nada para fazer, senão pensar. E eu entao, sou a mestre dos pensamentos! (oh, coitadinha da menina. Tão pequenina e já presa num elevador.Oooh) Eu sei, sou uma cobardolas. E então? Ao menos nao chorei... (quase, quase..)

- Estou, Luísa?- a minha mãe deve pensar que estava ao telemóvel :'D. Só me apetecia rir, mas nao conseguia.
- Sim?
- Vou ligar ao porteiro, sim?
- Está bem.

"Que bom, vou ficar aqui um dia inteiro. Vou morrer à fome!" (não, porque se o elevador cair primeiro, tu morres!) "Não é nada, ainda tenho muito para viver!" (até hoje..) "Ah! Cala-te!"

Pois. Sentia-me um desenho animado com um anjinho num ombro e um diabo no outro. Por outras palavras, sentía-me R-I-D-I-C-U-L-A. Olhei para o telemóvel para ver as horas. Deviam ter passado uns 10 minutos, mas para mim parecia uma eternidade!

Finalmente chegou um homenzinho para me tirar dali. Estava com medo de estar em frente a uma parede e não poder sair pelas portas que ele ia abrir! Abriu a de fora...e luz! Nunca fiquei tão feliz por ver luz! Tão graciosa tão linda :)

(estás a dar em doida, é só uma porcaria de uma fracção de tempo da tua vida..)

O senhor abriu a outra porta e lá estava o degrau para a liberdade! (o elevador só subiu uns 40 centímetros..) Não interessa, estou livre! Livre! ;D

Livre!

quinta-feira, 17 de setembro de 2009


- "You know, young boy, love is just a powerful thing."


-"Greatest than gravity?"


-"Well, hum...Yes, yes. I would say it is the greatest force on earth."



The sword in the stone, Disney :)

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Insónias.

Odeio, odeio isto. Não suporto ficar horas a olhar para o tecto à espera que um milagre aconteça e que de repente acorde na manhã seguinte. Ultimamente tem sido assim. OK, o meu cérebro nao precisa de descansar (ou sim) entao nao adormeço. No início ainda parece que vai ser uma noite normal mas depois tudo muda. Os meus olhos começam a habituar-se ao escuro e já consigo ver a forma dos móveis que estão simplesmente a 'fazer nada'. As horas passam tão devagar...e depois pronto, o costume. Ponho-me a pensar em coisas que nunca vão acontecer, em diálogos com pessoas enterradas na minha memória, em passeios, em mortes, em contos de fadas (ir)reais que me acontecem a toda a hora...sim, nos meus livros que ficam a meio porque a tinta acaba-se e as páginas sobram.
Estou mesmo farta disso. Completamente fartinha destes livros. É por isso que decidi que os vou queimar a todos.

"Não, é melhor não. Não queimes o último..." diz uma vozinha suave na minha cabeça. Fico a sonhar alguns segundos, em mais e mais histórias que eu sei que nao vão acontecer. Quero lá saber, é altura de mudar. Afinal, nao tenho mais nada para fazer. E assim foi, queimei-os e deitei-os fora como se fossem lixo. Lixo, lixo lixo.
E assim passou um bom par de horas. Na manhã seguinte acordam-me cedíssimo a dizer que o meu gato está em apuros. Lá vou eu armada em heroína e vou para o lado de fora da janela (do 4º andar, atenção) e consigo salvá-lo. Enfim, gatices.

sábado, 5 de setembro de 2009

Do penguins fly?..



Porque a vida tem destas coisas :D

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Preciso do teu abraço!!






















quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Casinha de madeira.

Confortavelmente sentada na relva, observei a paisagem à minha volta. Verde e azul, eram as cores predominantes. Pinheiros, cedros, oliveiras, fiteiras, bambus, cerejeiras, arbustos, muitas flores…estava (definitivamente) em casa. Cruzei as pernas ’à chinês’ e coloquei as mãos ao lado do meu corpo. Sentia as ervinhas na palma de cada mão e nos dedos. Envolvida nos meus pensamentos, fechei os olhos. Sorri. O cantar dos pássaros sempre me animou a alma, assim como o vento que brincava com os meus cabelos.
Subitamente, lembrei-me da casa da árvore. Aquela casa que sempre sonhei ter. “Um dia destes começamos a fazer uma casa numa árvore, o que dizem?” Claro que é o sonho de todas as crianças, ter um sítio onde se esconder, onde descansar, pensar, brincar, estar com os amigos. Nessa altura comecei logo a imaginar coisas! A pensar como a iria decorar, como havia de a fazer, qual seria a forte árvore que iria aguentar tanta coisa. Tão inocentezinha… os anos foram passando e nem um pedaço de madeira foi movido. Nenhum projecto foi feito. Nenhum sonho foi realizado. Sinceramente, até eu me esqueci. Só agora é que me lembrei disto

(devem ter sido as plantas que me avivaram a memória telepaticamente :P)

Continuei a pensar nela, enquanto ia mexendo na relva suavemente. Se eu a tivesse feito, sabia exactamente como a decorar. Lá dentro, colocava um sofá pequeno, umas cadeiras, uma mesa, uma estante pequena com jogos de tabuleiro, livros, CD’s, cartas, uma televisão velhinha e um tapete. Era tudo o que eu precisava para passar os verões com um amigo ou outro. Mas, vou-me deixar de dramas! É claro que ainda a posso ter, é obvio. Nunca é tarde demais para viver momentos que tanto desejamos, certo?

Certo ou não, continuo a “ter em mim todos os sonhos do mundo”





Afinal, ainda estou de olhos fechados :)

sábado, 29 de agosto de 2009

Vazio

Sinto há três anos uma dor enorme cá dentro. Tenho de desabafar e escrever tudo o que aconteceu naqueles dias pesados, que não pareciam ter fim.


Tinha treza anos. Ainda na casa antiga, era hora de jantar, um daqueles dias todos iguais.
De repente, a minha querida mãe rompe o silêncio."Tenho de ir para o Porto, a M........ teve um acidente". O meu coração disparou. Vieram-me à cabeça montes de perguntas, mas nao havia tempo para as fazer. Ainda lhe fiz algumas, o que fez com que o meu pai se irritasse e gritasse comigo e com a minha irmã a dizer que só sabíamos exagerar. Quem me dera que tivesse sido isso..
Ficámos os três a jantar. Aquelas refeições em que só se ouvem os talheres a bater nos pratos e que se prolongaram até aos dias de hoje. A seguir ao jantar fui-me deitar, tinha a cabeça a abarrotar de pensamentos. No dia seguinte reparei que a minha mãe nao tinha dormido em casa, pois a mesa nao estava posta naquela cozinha fria.
Fui para as aulas com um peso no coração. Contei a uma amiga minha o que se tinha passado e pedi-lhe para ela no intervalo vir comigo ligar à minha mãe. Lembro-me como se fosse ontem.

«Como é que ela está?»
«Muito mal, filha...»
«Mas, está em coma?..»-perguntei com medo
«Sim»

Parou tudo: a brisa que corria levemente, os gritos dos miúdos, o andar da minha amiga, o próprio tempo...Nem queria acreditar no que tinha ouvido. A minha amiga estava tão assustada quanto eu. Na aula de matemática estava noutro mundo. Só ouvia 'xis', 'ipslons', 'pis'...prendi o choro o dia todo.
À noite recebemos a notícia de que te tínhamos perdido, Maggie. Parecia um pesadelo, daqueles em que nao se consegue acordar. Tinha acabado de perder uma grande amiga, talvez a melhor que já tive até hoje, e nao parecia realidade.Nunca me vou esquecer das idas malucas ao cinema, das saídas com os primos, das músicas do natal, das histórias de terror que inventávamos, das noites em claro em tua casa, das gargalhadas que dávamos sem razão nenhuma. E claro, nunca me esqueço daquela vez em que estava contigo no carro da tua mãe e te espetaste contra um bloco de cimento. Saíste do carro a correr e entraste nele novamente com um pedaço do pára-choques na mão. Ficámos as duas a olhar para aquilo e de repente vemos que a tua mãe tinha visto tudo pela janela, a abanar a cabeça. Seguiste com o carro, comigo ao teu lado, juntamente com um ambiente tenso e seco em silêncio. De repente desataste a rir-te que nem uma doida, até me assustei. Quando conseguiste parar de dar valentes gargalhadas, limpaste a cara das lágrimas provocadas pelo riso e disseste: " É impressionante! Eu e o Zé estamos sempre a estragar o carro todo, isto é incrível!". Também nao me consegui conter, e ri-me contigo.
Bem, que saudades destes momentos. Nao imaginas a falta que todos sentimos de ti minha querida. Deixaste um vazio enorme cá em baixo. Ao menos estás feliz aí em cima e livre que nem um passarinho!

Só te digo uma coisa, quem me dera ter ido de mão dada contigo. (palavras do teu pai)

E penso em ti todos, mas todos os dias.