entao nao adormeço. No início ainda parece que vai ser uma noite normal mas depois tudo muda. Os meus olhos começam a habituar-se ao escuro e já consigo ver a forma dos móveis que estão simplesmente a 'fazer nada'. As horas passam tão devagar...e depois pronto, o costume. Ponho-me a pensar em coisas que nunca vão acontecer, em diálogos com pessoas enterradas na minha memória, em passeios, em mortes, em contos de fadas (ir)reais que me acontecem a toda a hora...sim, nos meus livros que ficam a meio porque a tinta acaba-se e as páginas sobram. Estou mesmo farta disso. Completamente fartinha destes livros. É por isso que decidi que os vou queimar a todos.
"Não, é melhor não. Não queimes o último..." diz uma vozinha suave na minha cabeça. Fico a sonhar alguns segundos, em mais e mais histórias que eu sei que nao vão acontecer. Quero lá saber, é altura de mudar. Afinal, nao tenho mais nada para fazer. E assim foi, queimei-os e deitei-os fora como se fossem lixo. Lixo, lixo lixo.
E assim passou um bom par de horas. Na manhã seguinte acordam-me cedíssimo a dizer que o meu gato está em apuros. Lá vou eu armada em heroína e vou para o lado de fora da janela (do 4º andar, atenção) e consigo salvá-lo. Enfim, gatices.
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