domingo, 6 de dezembro de 2009

Corrente inesperada


Noutro dia ouvi uma conversa sobre lagos. Sei que parece conversa de doidos,mas não foi. Antes pelo contrário. Alguém disse que a riqueza de um lago estava no seu fundo e que, se a água estivesse agitada, nao podíamos ver o interior dele. Mal ouvi isto, associei os lagos às pessoas. É practicamente a mesma coisa.
Quando conhecemos alguém, temos tendência a turvar (não sei se é o termo mais correcto) a nossa própria água. Tudo por uma questão de protecção. Mas ao longo do tempo, habituamo-nos a deixar a água calminha, pura, transparente. E só assim mostramos quem realmente somos,a quem realmente (nos) merece. Mas também há quem nao tenha nada no fundo do lago, ou quase nada. E para disfarçar isso, o barulho das ondas nunca pára,para niguém reparar.
Mas eu reparo. Reparo logo naqueles lagos e lagoas que, por mais que se semicerre os olhos, não se consegue ver o que realmente existe lá em baixo e que não quer ser mostrado: ou porque nao existe ou porque é pouquinha coisa. Não gosto muito de nadar nesses lagos. Lagos esses que, quando já se consegue ver alguma coisinha brilhante no fundo, puxam-nos através de uma corrente forte e deixam-nos na margem ao frio e na escuridão.
Isto tudo por causa daquela conversa que eu ouvi, nao sei a que propósito mas ouvi. E fez-me pensar. Muito.

2 comentários:

  1. Um dos melhores textos que ja li, sem dúvida. Cada dia escreves melhor, este entra bem cá no fundo e faz-nos pensar. Muito bonito, parabéns ;)

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  2. Bem, espero não ser uma dessas pessoas que não tem nada no fundo...lool

    Tal como o Carlos, adoro este texto, porque adoro a anologia que criaste entre as pessoas e os lagos (ou ao contrário)

    beijinhoos

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