
Era uma vez uma menina. Pequenina. Gostava de sonhos, viagens, pessoas, abraços, acreditava na amizade, no amor, na esperança, na felicidade. Sonhava em crescer um dia com alguém ao seu lado e ansiava pelo momento em que soubesse que ninguém a conseguia parar de viver a vida com satisfação e prazer. Confiava em quem confiava nela, e dava a mão apenas às pessoas que estendessem a sua. Esperava que algumas pessoas mudassem, porque tinha a certeza que toda a gente tinha um lado bom. Toda, sem excepção. E tinha razão. E a menina foi crescendo, devagarinho. Primeiro, ninguém reparava, mas depois as mudanças nela foram sendo cada vez mais perceptíveis. Um dia, pediram-lhe para a acompanhar por outro caminho, «parecido com o outro», diziam. Ela não quis. Mas um lindo sorriso convenceu-a. Como o passeio era menos inclinado, não se importou e seguiu em frente sem olhar para trás, no meio de brincadeiras e gargalhadas. Decidiu andar mais rápido e, de repente, estava sozinha. Sem ninguém, num sítio desconhecido. Ouvia vozes familiares ao longe, mas algo nelas era diferente. O céu escureceu e um arrepio percorreu-lhe o corpo. Tinha sido abandonada pelo lado bom que julgava que toda a gente tinha. Mas porquê? Porque lhe fizeram isto, sem avisar? E depois pensou «eles é que perdem, não eu» e, através de um atalho, chegou ao caminho anterior, sem problemas. E estenderam-lhe a mão, com toda a honestidade.
Cresceu mais uns centímetros nesse momento e sorriu à amizade que a rodeava.