Hoje aconteceu-me uma coisa que nunca me tinha acontecido na vida (até hoje).
Uuh...o que vem aí?..será algo decente? Por acaso até não. Mas nunca me tinha acontecido portanto decidi partilhar.
(desembucha, miúda!)
Aqui vai.
Tinha acabado de entrar pela porta do meu prédio. Cruzei-me com uns meninos vestidos à colégio que nem um olá me disseram (esta juventude...) . Avancei e chamei o elevador. Não, não gritei 'Ó elevadooor!'. Também não sou assim tão estúpida. Carreguei no botão, obviamente, e abriram-se as portas.
(que mistério...)
"Esperem lá, há aqui algo de errado". As luzes do tecto do elevador estavam apagadas. "Se calhar fundiram, pensei eu" (cabeça oca!! És burra que nem uma porta). E entrei. Carreguei no botão do meu andar e comecei a pensar na quantidade de germes que estavam ali. A culpa foi da aula de inglês, só se fala da gripe dos porcos :P As portas fecharam-se. Ops. Não tinha pensado nisto. Ficou tudo escuro. E quando digo escuro, é mesmo mesmo escuro (mentirosa, via-se o zero marcado no ecrãzinho que tinha lá, a verde fluorescente).
Comecei a subir. Ouvi um barulho que mais parecia um motor de um carro velho a arrancar que depois foi abaixo. E parei. "Não acredito, estou presa. Presa. Presa. Presa. No escuroooo. Ah!". Tem calma, miúda. Mas estava cheia de medo. Agora percebo a cara daqueles miudos! Mas eles não ficaram presos... (mas tu sim! Muaahahahaha!)
"Tem calma" pensava eu. Involuntariamente, comecei a bater nas portas. E ouvi umas vozinhas :
- Madalena, és tu?!
- Não, não sou!
- Madalena?- agora em uníssono.
- Não! Estou presa, socorro!
- Aaah! Avó, avó! Ela está presa!! Avóóó!!
"Porra. Os míudos estão a passar-se. Madalena? Mas que m**** é esta?". Eles estavam em pânico. Eu estava com medo. Onde é que isto vai parar? Tirei o telemóvel da mochila e desbloqueei para ter luz. Parecia uma ceguinha, nem conseguia ver nada. Aproximei o mais possível dos botões e comecei a tentar em todos. Nenhum dava. Boa, genial. O meu coração começou a bater depressa demais para o meu gosto. Depois ouvi uma senhora:
- Madalena?
- Não, não sou a Madalena!- já me estava a passar
- Madalena..?
- Não! Sou a Luísa!!!- estava aos gritos completamente
- Marta?!
- Nãããoo!! Luísa!
- Ah..estás presa? Carrega no -2!
- Não dá!
- E na campainha?
- Também não.
- Ok, querida. Eu vou chamar a tua mãe. Em que apartamento moras?
E disse-lhe. Ela disse para ter calma. "Claro que sim, estou calmíssima. Sinto que estou num spa". Olhei para o tal ecrãzinho e dizia 'EF'. Deve ser de Estúpida e Fútil. Comcei a ouvir o tique-taque do meu relógio. Odeio quando isso acontece. É mesmo irritante, e depois não consigo parar de o ouvir! Boa, devo estar com uma crise existencial: primeiro chamam-me Marta e Madalena e agora chamo estúpida e fútil a mim própria. Ai, é horrível estar presa às escuras. é que não se tem nada para fazer, senão pensar. E eu entao, sou a mestre dos pensamentos! (oh, coitadinha da menina. Tão pequenina e já presa num elevador.Oooh) Eu sei, sou uma cobardolas. E então? Ao menos nao chorei... (quase, quase..)
- Estou, Luísa?- a minha mãe deve pensar que estava ao telemóvel :'D. Só me apetecia rir, mas nao conseguia.
- Sim?
- Vou ligar ao porteiro, sim?
- Está bem.
"Que bom, vou ficar aqui um dia inteiro. Vou morrer à fome!" (não, porque se o elevador cair primeiro, tu morres!) "Não é nada, ainda tenho muito para viver!" (até hoje..) "Ah! Cala-te!"
Pois. Sentia-me um desenho animado com um anjinho num ombro e um diabo no outro. Por outras palavras, sentía-me R-I-D-I-C-U-L-A. Olhei para o telemóvel para ver as horas. Deviam ter passado uns 10 minutos, mas para mim parecia uma eternidade!
Finalmente chegou um homenzinho para me tirar dali. Estava com medo de estar em frente a uma parede e não poder sair pelas portas que ele ia abrir! Abriu a de fora...e luz! Nunca fiquei tão feliz por ver luz! Tão graciosa tão linda :)
(estás a dar em doida, é só uma porcaria de uma fracção de tempo da tua vida..)
O senhor abriu a outra porta e lá estava o degrau para a liberdade! (o elevador só subiu uns 40 centímetros..) Não interessa, estou livre! Livre! ;D
Livre!
Luísa, o texto está optimo, uma vez que que conseguiste transformar um momento que deve ter sido constrangedor, numa divertida comédia. Tenho de dizer que agradeço não ter uma consciência como a tua, a minha ainda nao chegou à fase de me querer deitar a baixo :P lol continua a escrever, sou leitor assiduo ;) beijinho
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